A menina de 11 anos que fez o próprio braço-biônico-chifre-de-unicórnio-lilás-atirador-de-purpurina!
20/02/2017
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Seria possível a volta das aventuras baseadas em texto? Um desenvolvedor acha que sim.

É fácil deixar de lado as aventuras baseadas em texto como se fossem relíquias de uma era já extinta. Elas serviram ao seu propósito quando a arte gráfica e as animações exigiam muito das memórias disponíveis para os computadores e consoles da época. Essas aventuras foram populares para uma geração de gamers que achavam que esse tipo de história, onde você estava livre para escolher o seu destino, eram realmente legais.

E assim elas foram deixadas de lado. Substituídas por histórias completamente ilustradas e jogos com diálogos – aparentemente – ricos.

Então, quando alguém diz que aventuras baseadas em texto não tem futuro, existe em mim a tentação de tratar a afirmação como ficção. Afinal de contas, estamos diariamente em contato com várias tecnologias que já foram condenadas ha anos e continuam aí, mesmo que sem a glória de outrora, mas ainda presentes.

O segredo para a sobrevivência está, acima de tudo, na capacidade de adaptação, e não somente na disponibilidade de novos recursos que podem ser considerados melhores em alguma instância. E aí que entra Bob Bates. Ele tem uma visão que poderia dar uma guinada na percepção de um gênero está, para todos os efeitos, moribundo. Ele fala da incorporação do reconhecimento de voz.

“Pense em um jogo que você joga no seu carro”, ele disse. “Você está parado no tráfego e tem este jogo a sua disposição. Você pode jogar enquanto está no seu trajeto. Esta é uma forma de arte que ainda não foi completamente desenvolvida.”

A promessa de jogos controlados pela voz vem se tornando cada vez mais próxima nos últimos anos. Temos a Amazon anunciando recursos para a Alexa, o dispositivo anunciado como um assistente pessoal. Temos a ferramenta nativa disponível nas plataformas Windows e Mac, que apesar de não serem especificamente projetadas para serem usadas com jogos, oferecem um grande leque de recursos. Programas desenvolvidos por terceiros com a finalidade de ajudar em jogos, como o Voice Activated Commands, Voice Attack e por aí vai.

O dispositivo da Amazon citado acima já possui, inclusive, um jogo que já pode ser jogado exclusivamente com comandos de voz: RuneScape Quests.

Bob Bates

Bob Bates

Jogar livremente

Ficções interativas tendem a propor cenas e então deixar para o jogador interpretar como proceder, mencionando diretamente o puzzle no texto. Então, se o jogador está de frente a uma porta, ele deveria escrever “abrir porta”, para depois receber a resposta se a sua ação funcionou ou não. As Aventuras em texto tem sua própria linguagem, a qual se espera que o jogador aprenda através de tentativa e erro. Essa linguagem, essencialmente, diz respeito às interações com objetos, espaços e NPCs.

Algumas dessas aventuras oferecem opções de múltipla escolha, mas para quem prefere um nível maior de complexidade, existem também as respostas abertas. Bates diz que ele mesmo não tem interesse em múltiplas escolhas ou estruturas de diálogo. Seus jogos tendem a ser lineares, com uma boa enfase no humor. Você resolve um puzzle e já parte para o próximo.

Bates escreve Aventuras em Texto e Ficção Interativa desde os anos 80. Primeiro para a Infocom e então para a empresa que ele ajudou a criar, Legend Entertainment. Ao lado de Steve Meretzky, ele ajudou a criar a série Spellcasting, assim como os títulos Timequest e Arthur: The Quest for Excalibur. Alguns desses jogos incluíam ilustrações, mas eles eram essencialmente baseados em texto.

Mais recentemente, ele ocupou cargos altos na Associação Internacional de Desenvolvedores de Jogos, além de uma posição gerencial na Zynga.

Agora, ele está desenvolvendo uma nova aventura em texto chamada Thaumistry: In Charm’s Way, que acabou de alcançar seu objetivo de US$ 25.000 na sua campanha no Kickstarter. Ele planeja lançar o jogo – um conto de fantasia de mágica moderna – no meio do ano.

Arte do engano.

Apesar do entusiasmo de mais de 800 apoiadores, é justo dizer que as aventuras baseadas em texto não são exatamente um grande sucesso atual. Uma busca rápida na loja da Steam revela poucas opções, a maior parte delas se baseando em jogos de múltipla escolha.

Bates é um entusiasta. “Existe uma abertura desse tipo de jogo que faz com que você se sinta como se estivesse lá,” ele disse. “Você é livre para investigar o mundo e interrogar os personagens que você encontra. Essa jogabilidade não está realmente presente em jogos de aventura que só podem oferecer a você caminhos fixos. Por isso, esse gênero de jogo geram uma sensação e uma experiência diferentes. Eu não diria nem que um é melhor do que o outro, são apenas diferentes.”

Perguntaram a Bates: A ausência de arte gráfica no jogo é apenas uma decisão baseada em recursos? Se você tivesse um investidor disposto a colocar US$ 100.000,00 em artes no jogo, você aceitaria?

O desenvolvedor responde que não. Ele disse que a arte tende a direcionar os jogadores para o lugar errado em jogos desenhados para serem jogados através do texto. “Eu decidi no começo que não haveriam recursos gráficos. Imagine que você está em uma cena em um salão de banquete, onde existe uma viking sentado à mesa. Nessa mesa existe um cálice de prata na frente dele. Tudo o que acabei de descrever se resume ao viking, a mesa e o cálice. Um artista faria com que essa cena ficasse mais interessante. Ele colocaria tochas na parede. As tochas estariam acesas. Todos iriam querer colocar fogo nas coisas. Eles iriam focar na coisa errada.”

Mantendo a chama viva.

Ele gosta de escrever esse tipo de jogo, principalmente porque o ato de criação é um tipo de quebra-cabeças um sim. Ele precisa tentar antecipar as muitas ações possíveis que os jogadores podem, eventualmente, fazer e ainda criar respostas para elas. Os jogadores gostam quando suas respostas mais estranhas consegue gerar uma interação com o jogo.

Apesar do seu estilo de escrita não ter mudado, ele pode agora colocar muito mais respostas em potencial, assim como mais sinônimos que farão com que a vida seja mais agradável para o jogador, criando menos respostas como “Eu não entendo isto ou aquilo”.

Como usuário de recursos de acessibilidade, devo dizer que gosto muito da ideia e gostaria de ver muitas outras possibilidades sendo exploradas nos games. Mas o que eu quero saber agora é a opinião de vocês. Comente abaixo o que vocês acham sobre esse gênero de jogo e qual a sua experiência com ele. Comentem aí!

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